Em 2025 a região Centro tinha 159 empresas Gazela, empresas jovens de crescimento acelerado reconhecidas pela CCDR Centro, 22 menos do que no ano record de 2024. Mas a dinâmica é desigual dentro da região, a Região de Aveiro multiplicou por quase sete a faturação das suas 27 Gazelas entre 2021 e 2024, de 10,3 para 73,0 milhões de euros, com uma produtividade de 139 mil euros por trabalhador, 48% acima da média regional de 94 mil euros.
A região Centro teve, em 2025, 159 empresas distinguidas como “Gazela” pela CCDR Centro, empresas jovens que crescem muito acima da média do seu setor em emprego e em volume de negócios. É menos 22 do que as 181 empresas da edição anterior, que tinha sido o valor mais alto desde que o prémio existe, em 2012. À primeira vista parece um sinal de abrandamento regional. Mas por dentro dos números, a história não é a mesma em todo o território.
As 159 empresas estão distribuídas por 49 concelhos, com destaque, ao nível de concelho, para Leiria (16), Torres Vedras (10), Coimbra e Ourém (9 cada), e Aveiro e Viseu (8 cada). É já aqui que se vê o primeiro sinal de que “região Centro” não é uma unidade económica, é uma soma de territórios com ritmos diferentes.
Na Região de Aveiro, as 27 empresas Gazela distinguidas multiplicaram o volume de negócios por quase sete entre 2021 e 2024, de 10,3 para 73,0 milhões de euros. A produtividade média chegou aos 139 mil euros por trabalhador, 48% acima dos 94 mil euros da média regional. Na Região de Coimbra, por comparação, foram reconhecidas 26 empresas Gazela, também descritas como tendo crescimento muito significativo em emprego e faturação, mas sem o mesmo detalhe de produtividade publicado. Dois números de empresas quase idênticos, 27 contra 26, e ainda assim histórias de crescimento que não se leem da mesma forma.
Quanto vale essa diferença de produtividade
A diferença entre os 94 mil euros de produtividade média regional e os 139 mil euros das Gazelas de Aveiro equivale a 45 mil euros adicionais de valor gerado por trabalhador, todos os anos. Numa PME hipotética com 10 trabalhadores, replicar esse nível de produtividade significaria produzir, com a mesma equipa, cerca de 450 mil euros adicionais de valor por ano. O número é ilustrativo, não é uma previsão para nenhuma empresa em concreto, mas mostra a ordem de grandeza do que separa crescer em volume de crescer em valor.
Esta diferença também ajuda a explicar porque a região Centro perdeu Gazelas entre 2024 e 2025 sem que isso seja, por si só, uma má notícia. O critério do prémio exige crescimento sustentado e muito acima da média num período fixo de referência. Uma empresa que estabiliza depois de uma fase de expansão acelerada sai naturalmente da lista, o que não equivale a estar em dificuldades, só a ter mudado de fase. A faturação da região Centro no conjunto das Gazelas tinha passado de cerca de 124 para mais de 694 milhões de euros entre 2020 e 2023, um crescimento superior a 450% nesse período, por isso uma travagem relativa depois de um pico histórico também é estatisticamente esperável.
A faturação das empresas Gazela da Região de Aveiro multiplicou-se por quase sete entre 2021 e 2024, de 10,3 para 73,0 milhões de euros, com uma produtividade de 139 mil euros por trabalhador.
Fonte: O Ilhavense, 19/06/2026
Tratar a região Centro como um bloco único é o erro
O erro mais comum de quem lê notícias sobre “a economia da região Centro” é tratar Aveiro, Coimbra e Viseu, ou mesmo sub-regiões dentro do mesmo distrito, como uma única unidade económica. Os números das Gazela mostram o contrário, dentro da mesma lista regional há sub-regiões a multiplicar faturação por sete e outras a crescer de forma mais modesta, mesmo com números de empresas distinguidas parecidos. É a mesma lição que já tínhamos visto na análise anterior sobre insolvências em Aveiro, Coimbra e Viseu, e que volta a confirmar-se também do lado positivo, na criação de empresas na região Centro, distrito a distrito.
Para uma PME, o princípio prático é olhar para os números do seu próprio concelho e setor, não para médias nacionais ou mesmo regionais amplas, antes de decidir se está atrasada ou dentro da normalidade. E, dentro da própria empresa, perguntar não só “estamos a crescer” mas “estamos a crescer em valor por trabalhador”, porque é essa segunda pergunta que separa um crescimento sólido de um crescimento que só parece sólido no papel.
Perguntas frequentes
O que são as empresas Gazela da região Centro?
São empresas jovens identificadas todos os anos pela CCDR Centro por mostrarem um crescimento muito acima da média do seu setor, tanto em volume de negócios como em emprego, avaliado num período de referência de vários anos.
Porque caiu o número de empresas Gazela entre 2024 e 2025?
Porque a lista depende de critérios de crescimento sustentado e muito acima da média num período fixo. Uma empresa que deixa de crescer a esse ritmo sai da lista, o que não significa necessariamente dificuldades, apenas que deixou de cumprir esse critério específico nesse período.
Que sub-região da área de Aveiro, Coimbra e Viseu teve o crescimento mais forte entre as suas empresas Gazela?
A Região de Aveiro destacou-se, com a faturação das suas 27 empresas Gazela a multiplicar-se por quase sete entre 2021 e 2024 e uma produtividade média de 139 mil euros por trabalhador, acima da média regional de 94 mil euros.